segunda-feira, 7 de julho de 2014

Desabafo

Não sei muito bem em por onde começar esse texto, nem o real motivo de escrevê-lo, já que quem realmente deveria lê-lo, nem vai saber da existência dele. Mas vamos lá, começar talvez do fim ou meio, não respeitando a minha própria forma de escrever textos, para que talvez, no fim, eu decida o que fazer com ele. Acho difícil e acredito que ele será mais uma parte das coisas que eu pensei, mas, por medo, não fiz...

Acredito que meu maior medo seja a decepção das pessoas que eu amo, principalmente em relação aos estudos, já que meus familiares prezam tanto um ensino e uma colocação diferenciada dos demais. Realmente, sempre pensei nos familiares primeiro do que em mim, minhas decisões, escolhas, ações... Sempre, na minha cabeça, o que os outros pensam de tal coisa deve ser a prioridade. Certo ou errado fazer isso? Será possível que esse ato chegue a um limite extremo e perigoso? Meus pais sabem disso, e me xingam por pensar nos outros antes de tomar minhas decisões, mas eles acham que os outros são meus colegas e amigos... mal sabem que são eles próprios, infelizmente. Desde que comecei a pensar em que cursos seguir, minha primeira pergunta não era a normal como "eu vou gostar de fazer isso?", mas sim "meus pais, avós, vão se sentir orgulhosos se eu fizer isso?". Acho que a situação chegou a um extremo, quando eu comecei a brigar com eles pelas diferenças de pensamento, a partir daí, coloquei como prioridade, o sair de casa e ir para a ufsm, por, realmente, ser a chance mais lógica de eu ir para um federal, orgulhando meus avos e pais e ao mesmo tempo realizando meu sonho, acho, de sair de casa, levar a vida como eu acho melhor, de acordo com o que eu penso. Hoje, vi que perdi meu tempo, idealizando cursos que estavam na grade da ufsm, simplesmente pelo fato de querer sair de casa. E o que mais dói, é que apesar de saber que eu perdi meu tempo pensando dessa forma, eu ainda faço isso, pois se eu não escolher um curso da ufsm, serei rebelde, irresponsável que não aproveita as oportunidades dadas pelos pais. Perdi meu tempo com muitos cursos, pra chegar hoje e me ver obrigada a escolher um curso no qual as cadeiras são entediantes, eu não me vejo nele e com o pensamente de que ao terminar os 4 anos, fazer um novo curso com o que eu realmente goste. Mas não consigo escolher um curso hoje, não consigo olhar a grade e me imaginar nele, apenas consigo ver a decepção dos meus pais e familiares me vendo fazer um curso que não seja a tal contabilidade. Mas ok, qual é esse curso? Também não sei. Vejo-me num único caminho, no qual o final eu sei que lá está uma placa bem grande escrita "tu vai se ferrar". Pode até ser dramático, mas é o que sinto. Não sei mais o que fazer para me decidir num curso, não me vejo em mais nada. Estou com medo de fazer contabilidade, mas se eu falo dos meus medos, eles são respondidos por "teu medo é passageiro", "te vejo nesse curso", "tenho certeza que tu vai se dar bem nele". Não. Não vou. Meus próprios pais não me conhecem, quem convive comigo não me conhece, eu não tenho menor intimidade com eles, me dói escrever isso, pois a ultima coisa que eu queria era que fosse assim. Não consigo mais contrariar os pensamentos deles, sem que uma briga venha junto. Cansei de discutir, cansei de brigar, cansei de me gastar tentando por em jogo o que eu penso e o que eu sinto, para que isso seja
traduzido como rebeldisse e "influencia dos teus amigos". Sempre foi assim e, agora, guinchou em um tema bem mais amplo, meu futuro. Meus pais, que sempre disseram que não iriam se meter nas minhas decisões de faculdade, que era eu quem tinha que tomar minhas decisões sobre isso, apenas eu, agora vem com essas respostas. Vejo um curso que talvez eu me de bem, biomedicina. Respostas: Obvio que tu não vai passar na UFRGS, eu não vou pagar um curso de biomedicina pra ti (a diferença entre biomed e contabilidade é de 100,00), biomedicina é uma medicina fracassada, tu não vai ter um emprego fixo fazendo biomedicina, tu está sendo irresponsável abrindo mão dos cursos que a ufsm oferece. Eai? O que fazer? Comprar essa briga, sendo que depois dessas palavras nem mesmo eu consigo admitir que esse seria um curso pra mim? Ou simplesmente desistir, fazendo a tão sonhada contabilidade em que o emprego e o salário seriam bons e fixos? Não aguento mais pensar nisso, não aguento mais saber que vou ser infeliz tomando essa decisão. Não aguento mais o medo de que escolhendo um curso diferente que contabilidade, meu fracasso seja evidente e eu seja obrigada a ouvir por um bom tempo a frase "eu te avisei". Também não consigo mostrar isso tudo ou falar, nem dizer o que eu sinto pros meus pais. Seria melhor ou pior? Pioraria a situação ou melhoraria? Eu sei que só conseguiria saber disso agindo. Mas só vejo outra briga que eu não quero comprar. A situação é que eu não consigo me decidir, faltando exatamente 20 dias para a abertura das inscrições do ENEM. Não sei se eu escuto a opinião dos meus pais ou a minha. Mas e daí? E se eu escutar a minha? Vou por o que na inscrição? Se depois de tudo que eu ouvi, só me vejo com dinheiro, na contabilidade, só vejo os outros orgulhosos de mim, na contabilidade. Tenho medo de por a minha felicidade no jogo agora, para ela ser transformada, depois, em motivo de jogar na cara as decisões erradas do passado. Eu sei que vão me dizer que eu tenho que arriscar, mas e se eu não tiver coragem? Por medo. Só queria que eles entendessem pelo menos metade desse texto, talvez a situação fosse diferente... Mas eu já tenho medo de dar qualquer passo que envolva eles saberem do tal passo, qualquer conversa ou ação. Como sair desse medo? Como deixá-lo de lado e começar a pensar mais em mim? Talvez agora seja tarde para eu me dar conta destes fatos.

24/04/2014

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